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03
set

BSCA, CQI, Q-Grader, Selo de qualidade, ABIC, etc.

A avaliação da produção e da qualidade do café é feita por diversas instituições que podem utilizar diferentes sistemas. Para o consumidor exigente, conhecer o produto que consome é essencial – e aumenta todo ano o número de consumidores de café especial. No Brasil, a Associação Brasileira de Cafés Especiais – BSCA, a Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC e o Coffee Quality Institute – CQI (responsável pelas certificações de Q-Grader e R-Grader) são as principais referências, sendo que para o café especial o padrão possivelmente mais utilizado é o da BSCA.

Q-Grader, R-Grader e Q-laudo

O Q-Grader é o indivíduo credenciado mundialmente pelo CQI – Instituto de Qualidade do Café para degustar e classificar cafés. Essa certificação pertence ao “Q Grader System” e consiste em uma série de exames práticos utilizando padrões desenvolvidos pela Specialty Coffee Association of America – SCAA (hoje apenas SCA) e suas irmãs, como a BSCA.

O credenciamento para a avaliação de café do grupo arábica é diferente do credenciamento feito para o robusta, que recebe a denominação de R-Grader. Em uma analogia com o vinho, as atividades desses indivíduos se assemelhariam em parte com o que faz um enólogo.

Para a obtenção do título, o avaliador ou provador faz diversos treinamentos e exames que o habilitam a ser um Q-Grader. São 22 testes dificílimos conduzidos durante 6 dias e que devem ser concluídos com sucesso para se tornar um provador certificado. A licença profissional recebida deve ser renovada a cada 3 anos, por meio de curso e exames de calibração. Os testes e cursos para R-Grader são semelhantes ao do Exame Q-Grader, contudo, com características e testes um pouco diferentes, tendo os padrões sido desenvolvidos pelo CQI em parceria com a Autoridade de Desenvolvimento do Café de Uganda – UCDA.

Os testes são amplos e buscam cobrir diversas etapas da cadeia produtiva do café, como classificação, identificação de torra, habilidades sensoriais, triangulação sensorial, entre outros. É um processo bem complicado, no qual em média, apenas 30% dos candidatos conseguem o título de Q-Grader. Assim, em resumo, pode-se dizer que a atividade de um Q-Grader extrapola em muito a de um degustador normal de café; o profissional precisa ter capacidade de reconhecer sabores, aromas, níveis de intensidade de acidez, frutos exóticos, entre outros atributos não triviais.

Contudo, apesar de todos esses conhecimentos e benefícios, os salários para profissionais com essa qualificação ainda não são os mais elevados dentro da indústria cafeeira. A exceção é para aqueles que têm focado na degustação de cafés especiais para exportação, com remunerações mais substantivas e que justificam o investimento. Além de toda a complexidade do conteúdo, o valor da certificação se justifica pela necessidade de infraestrutura e equipamentos específicos, bem como de aquisição de cafés com perfis bem variados e de qualidade superior para calibrar e treinar o sensorial dos possíveis futuros graders. Contudo, apesar desse boom do mercado de cafés especiais, o País ainda carece de opções de formação preparatória para os testes.

O crescimento desse campo em muito pode ser explicado pela explosão recente pela qual passou o mercado de cafés especiais atrelado a um movimento global por busca por maior qualidade. Caso você esteja interessado, vale lembrar que atualmente não há requisitos formais para se inscrever para a obtenção da certificação. Contudo, o Exame Q-Grader não é um processo simples para profissionais inexperientes ou novos; muito pelo contrário. O CQI recomenda inclusive que os candidatos pratiquem bastante por meio de Workshops de desenvolvimento de habilidades e eventos da SCA.

O CQI é uma é uma organização sem fins lucrativos que trabalha internacionalmente para melhorar a qualidade do café desde 1996. Formado inicialmente para realização de pesquisas de qualidade, hoje o CQI oferece 6 opções de cursos diferentes, incluindo Q-Grader e R-Grader, variando em nível de experiência e tipo de conhecimento.

Além disso, tem-se também no CQI a emissão de laudos de qualidade de café, muito conhecidos no meio como “Laudo Q” (para café arábica). É um laudo que atesta a qualidade de determinado café, por meio de uma amostra de grão cru. Este laudo não leva em conta a procedência do grão e, portanto, não tem uma cadeia de custódia atrelado a ele, o que é um dos grandes diferenciais do certificado emitido pela BSCA –  Selo de Qualidade BSCA – , em que o processo começa exatamente pela certificação da propriedade, conforme explicado anteriormente. Assim, nesse cenário, hoje no Brasil, só pode receber a nomenclatura de café especial aquele que possui o certificado da BSCA.

Você sabe como é um certificado?

Para entender melhor o que é uma certificação, veja abaixo o certificado do nosso Lote 04, um Catuaí Amarelo da Fazenda Aliança, em São João da Boa Vista/SP, que recebeu 84 pontos pela BSCA:

 

Assim muita atenção, para não haver confusão entre as organizações (o que é muito comum)! Importante ter em mente que o Q-Grader e a CQI não são da SCA ou BSCA. A confusão se dá em parte pelo fato da BSCA e o CQI terem algumas características semelhantes, como ambas serem organizações não-governamentais, terem programa de educação e certificações de qualidade de café.

Quanto aos programas de educação da BSCA, este são resultado da unificação da metodologia da associação americana e europeia no final década de 2020. A metodologia resultante é dividida em cinco cursos, cada um deles com três níveis de complexidade – o básico, o intermediário e o profissional. Os cursos atualmente disponíveis são: de barista, de métodos de preparo (para filtrados), de cafés verdes, de torra e de análise de sensorial. Essa estrutura é completamente distinta do protocolo utilizado pelo CQI, que tem como pilar somente a Associação Americana.

Assim, independente da organização, essas certificações e treinamentos são considerados o que há de mais moderno e profissional no mercado de cafés especiais, e a médio e longo prazo possibilitam bom reconhecimento internacional e conhecimento para uma série de atividades no Brasil e/ou no exterior.

 

Referências Bibliográficas

https://www.cafepoint.com.br/noticias/agenda-do-produtor/bsca-abre-inscricoes-para-curso-de-qgrader-que-acontece-em-marco-206532/

https://blog.strider.ag/certificacao-q-grader-ela-pode-aumentar-o-valor-do-seu-cafe/

http://www.savassiagronegocio.com.br/blog/saiba-o-que-e-o-profissional-q-grader-e-veja-como-se-tornar-um-29

https://villacafe.com.br/blog/q-grader-como-este-profissional-pode-ajudar-na-sua-cafeteria/

https://www.em.com.br/app/noticia/agropecuario/2016/09/26/interna_agropecuario,807671/capacitacao-como-q-grader-exige-investimento-alto.shtml

https://www.mexidodeideias.com.br/mercado/o-que-e-a-certificacao-q-grader/

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