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15
jul

Cata, catação ou catagem dos cafés

A busca ou seleção de grãos verdes de café para garantia de um excelente produto para a torra é conhecida como cata, catação ou catagem. É uma das últimas etapas e é parte essencial do processo de produção de um café especial, quando defeitos e impurezas são identificados, avaliados e eliminados, quando possível. A catação complementa diversos outros processos que são utilizados pelos produtores para poder oferecer uma matéria prima de alta qualidade para os torradores do Brasil e do exterior.

Como é feita?

A cata pode ser feita manualmente ou por máquinas, ou por combinações dessas. O café crú (verde) também é classificado pela peneira, como já discutido em blog anterior. A cata manual, cuidadosa, é muito utilizada por pequenos produtores enquanto a cata eletrônica é utilizada principalmente por aqueles que manejam quantidades maiores de café. A catação eletrônica separa os grãos pela cor, em máquinas fantásticas de última geração e com uma rapidez impressionante eliminam resíduos e defeitos. Mas máquinas são ajustadas por homens e a qualidade do serviço depende sempre da experiência dos operadores!

São considerados defeitos os grãos imperfeitos (chamados defeitos intrínsecos) – grãos pretos, ardidos, verdes, chochos, mal granados, quebrados e brocados – e as impurezas (defeitos extrínsecos) – tais como cascas, paus, pedras ou cafés em coco  encontrados na amostra. A cada um desses grãos imperfeitos ou impurezas corresponde  uma medida de equivalência de defeitos, que rege a classificação por tipo, além de uma terminologia específica.

Comumente, para proceder à classificação, amostras de 300 g de café são recolhidas e acondicionadas em latas apropriadas. A seguir, em uma mesa provida de boa iluminação, a amostra é espalhada sobre uma folha de cartolina preta. Os defeitos são separados e contados  segundo uma  tabela oficial de equivalência de grãos imperfeitos e impurezas. A base para se estabelecer a equivalência dos defeitos é o grão preto, que é considerado o padrão dos defeitos! Em geral são necessários vários grãos imperfeitos para se obter 1 defeito, enquanto o grão preto, por si só, corresponde a 1 defeito.

As matérias estranhas são detritos vegetais não oriundos do produto, grãos e sementes de outras espécies e corpos estranhos de qualquer natureza, como pedra e torões, que são oriundos da varrição ou de fragmentos do piso do terreiro de secagem e as Impurezas são cascas secas ou verdes de diversos frutos, inclusive do cafeeiro, paus, ramos e outras impurezas do próprio produto.

Marinheiro, café cabeça e melado

Ah, e tem nomes curiosos que são utilizados durante a cata e identificação dos problemas – o Marinheiro, que é o grão que, no benefício, o pergaminho (película que recobre o fruto do café, que se encontra entre ele e a casca) não foi total ou parcialmente retirado.  E o Café cabeça, que é o grão composto por dois grãos imbricados, oriundos da fecundação de dois óvulos em uma única loja do ovário (complicado, né!!!). Não será considerado defeito, a menos que se separe, dando origem à concha e ao miolo de concha.

E para finalizar, o Café melado não é aquele cheio de açúcar, mas sim quando o grão perfeito fica com a película do espermoderma aderida devido à fatores climáticos e coloração marrom, ligeiramente avermelhada!

 

Imagem por WordRidden. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/wordridden/8278570234

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