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18
ago

O tal do “corpo do café”

Muitas vezes ao ver alguém degustando café, vinho, cerveja e muitas outras bebidas, é comum ouvirmos a descrição do corpo da bebida.

Já vimos nesse texto que o corpo é um dos atributos sensoriais avaliados na prova de um café, mas você já se perguntou o que realmente caracteriza o corpo da bebida?

Caracterizando o corpo do café

O corpo talvez seja um dos termos mais imprecisos dentro do repertório da degustação. Talvez a definição mais básica e difundida é a trazida por Scott Rao em seu livro The Professional Barista’s Handbook, definindo-o como “o peso da bebida percebido na boca”. Provavelmente seja a mais compartilhável ou tangível.

De forma um pouco mais detalhada, seria a impressão tátil – consistência, peso – provocada pela bebida e sentida pela língua enquanto passeamos com o café por toda a boca, sendo quase uma forma de mensurar essa sensação – e por isso comumente nos referimos aos níveis de corpo do café como leve, médio ou encorpado (pesado).

Ou seja, embora interfira em como vamos saborear a bebida, o corpo não tem gosto. É algo que se sente – uma sensação que experienciamos.

O que influencia o corpo do café?

O corpo pode ser influenciado pela origem e variedade do café e também por praticamente todas etapas do processo produtivo até a bebida chegar à mesa – principalmente a torra e o próprio método de extração.

Durante a extração do café, há substâncias que são insolúveis e outras solúveis. Estas últimas se diluem na água durante o preparo. Já as insolúveis são os sólidos e os óleos que se mantêm suspensos – e esses são os principais responsáveis por dar mais viscosidade e corpo à bebida.

Assim, se deseja um café mais encorpado, é interessante escolher um método que permita que mais óleos cheguem até à xícara, como a Prensa Francesa (devido ao seu filtro metálico). Por outro lado, uma Chemex, por exemplo, entregará uma bebida mais limpa, considerando seu grosso filtro de papel que retém grande parte dos óleos. Um método bem flexível neste quesito é a Aeropress, que permite a extração de um café limpo ou encorpado.

Mas quando se fala em corpo definitivamente o espresso é disparado o campeão. Como é o método com maior proporção entre café e água e é extraído sob alta pressão, faz com que uma maior quantidade de sólidos e óleos estejam presentes na bebida final, que se torna mais encorpada.

Como definí-lo

O café com corpo leve é a bebida com poucos resíduos e textura na boca, nos trazendo a sensação mais próxima de beber água pura. Por outro lado, o encorpado, em decorrência da maior presença de sólidos é óleos, traz mais sensação de textura e peso/potência à língua. O corpo médio é um meio-termo entre os outros dois níveis.

 

Agora, da próxima vez que for degustar um café de qualidade, preste atenção no corpo da bebida. Aos poucos as sensações trazidas por ele ficarão cada vez mais claras pra você, tornando o momento ainda mais prazeroso.

1 Resposta

  1. Mari Mesquita

    “corpão”! E ainda tem como ir qualificando esse corpo pra além da intensidade. Tem o corpo cremoso, o corpo viscoso que o espresso pode ter, o sedoso e até o áspero que a gente nunca quer conhecer rsrs.

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